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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pulseira da discórdia um absurdo !











 

 

 

 

 

 










 

Após ter 'pulseira do sexo' arrancada, adolescente é estuprada em Londrina

Segundo a polícia, crime foi motivado pelo uso do adereço.
Dos quatro envolvidos, três são adolescentes e um tem 18 anosUma adolescente de 13 anos foi estuprada por pelo menos três rapazes, em Londrina (PR). O crime teria sido motivado pelo uso da  "pulseira do sexo", segundo a polícia. A vítima foi abordada por um grupo composto por quatro jovens depois de sair da escola, na região central da cidade, por volta das 12h do dia 15 de março. De acordo com a Polícia Civil, um dos envolvidos tem 18 anos e vai responder em liberdade pelo crime de estupro de vulnerável. Os demais já foram identificados, mas ainda não prestaram depoimento até a manhã desta quarta-feira (31).


A “brincadeira” das pulseiras funciona da seguinte forma: uma menina coloca diversas pulseiras de silicone coloridas no braço e um jovem tenta arrebentar um dos adereços. Cada cor representa um “carinho”, que vai desde um abraço até a prática de sexo; quem arrebentar receberá a “prenda” da dona da pulseira.
Segundo o delegado William Douglas Soares, o caso chegou ao conhecimento da polícia no dia 23 deste mês, quando a mãe e a garota relataram o ocorrido. "A menina disse que foi abordada pelo grupo e um deles arrancou a dita 'pulseira do sexo' que ela usava. Pela cor do adereço, ela teria de pagar uma prenda aos jovens. Ela se mostrou constrangida com o fato e acompanhou o grupo até a casa do rapaz de 18 anos. A menina não relatou que eles tivessem usado arma para isso."Soares informou ainda que o encontro preliminar aconteceu no terminal de transporte coletivo central de Londrina, que registra grande movimento de estudantes no horário de saída das escolas. "A vítima e os envolvidos não se conheciam. Por isso tenho a convicção de que o crime só aconteceu por causa do uso das 'pulseiras do sexo'. Fica aqui o alerta aos educadores, pais e estudantes sobre isso."
A jovem está recebendo acompanhamento psicológico do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) desde o registro do caso. "Estamos esperando os laudos psicológico e do Instituto de Medicina Legal (IML) sobre as agressões sofridas pela menina", disse o delegado.Soares informou ainda que o fato de a jovem ter acompanhado os agressores até a casa de um deles não tem importância no inquérito. "Trata-se de um caso de estupro de vulnerável, que independe de consentimento ou não da vítima, que neste caso tem menos de 14 anos, como rege a legislação."
Em caso de condenação, o rapaz de 18 anos pode cumprir pena que varia de 8 a 15 anos de reclusão. "No caso dos demais envolvidos, que são menores de idade, eles podem ser levados para medidas sócioeducativas ou até para internação, de acordo com o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]", disse o delegado.


 À primeira vista, uma colorida pulseira de plástico nos pulsos de crianças parece inocente.

Mas na realidade elas são um código para as suas experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até ao sexo propriamente dito.

Poderia confundir-se com mais uma daquelas modas que pega, uma vez que é usado por milhares em várias escolas primárias e preparatórias no Reino Unido e custam apenas uns centavos em qualquer banca ao virar da esquina.

Mas as diferentes cores das ditas pulseiras de plástico – preto, azul, vermelho, cor-de-rosa, roxo, laranja, amarelo, verde e dourado – mostra até que ponto os jovens estão dispostos a ir, se proporcionar, desde dar um beijo até fazer sexo.

Andam uns atrás dos outros nos recreios das escolas, na tentativa de rebentar uma das pulseiras. Quem a usava terá de “oferecer” o ato físico a que corresponde à cor. É o “último grito” do comportamento promíscuo que sugere, cada vez mais, que a inocência da infância pertence a um passado distante.

Quase tão chocante como as “festas arco-íris” – encontros com muito álcool e droga à mistura, em que as meninas usam batons de cores diferentes para deixar a “marca” nos rapazes após o sexo oral -, as “pulseiras do sexo”, que custam apenas um euro (um pacote com várias), têm um custo maior que foge ao alcance de muitos pais.

Significado das cores:

» Amarela – é a melhor porque significa das um abraço no rapaz;
» Laranja – significa uma “dentadinha do amor”;
» Roxa – já dá direito a um beijo com língua;
» Cor-de-rosa – a menina tem de lhe mostrar o peito;
» Vermelha – tem de lhe fazer uma lap dance (dança erótica);
» Azul – fazer sexo oral praticado pela menina (”boquete”);
» Verdes – são as dos chupões no pescoço;
» Preta – significa fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira;
» Dourada – fazer todos citados acima ou sexo oral simultâneo (“meia-nove”);
» Listrada– sexo na posição “frango assado”;
» Grená – Sexo anal sem lubrificante;
» Transparente – sexo com parentes consanguíneos;
» Marrom – exo escatológico (“brown shower”);


Símbolo de respeito

Como quase em tudo nestas idades, existe um estigma por detrás das pulseiras: quem não as usar é excluído e quem usar as cores preto e dourado é mais respeitado. “No meu grupo da escola, a líder – que serve de exemplo para todos – só usa pulseiras pretas e douradas. Todos os rapazes da minha turma usam pretas e se uma rapariga também usa, eles gostam todos dela”, conta a criança de 12 anos.


À primeira vista, uma colorida pulseira de plástico nos pulsos de crianças parece inocente.

Mas na realidade elas são um código para as suas experiências sexuais, onde cada cor significa um grau de intimidade, desde um abraço até ao sexo propriamente dito.

Poderia confundir-se com mais uma daquelas modas que pega, uma vez que é usado por milhares em várias escolas primárias e preparatórias no Reino Unido e custam apenas uns centavos em qualquer banca ao virar da esquina.

Mas as diferentes cores das ditas pulseiras de plástico – preto, azul, vermelho, cor-de-rosa, roxo, laranja, amarelo, verde e dourado – mostra até que ponto os jovens estão dispostos a ir, se proporcionar, desde dar um beijo até fazer sexo.

Andam uns atrás dos outros nos recreios das escolas, na tentativa de rebentar uma das pulseiras. Quem a usava terá de “oferecer” o ato físico a que corresponde à cor. É o “último grito” do comportamento promíscuo que sugere, cada vez mais, que a inocência da infância pertence a um passado distante.

Quase tão chocante como as “festas arco-íris” – encontros com muito álcool e droga à mistura, em que as meninas usam batons de cores diferentes para deixar a “marca” nos rapazes após o sexo oral -, as “pulseiras do sexo”, que custam apenas um euro (um pacote com várias), têm um custo maior que foge ao alcance de muitos pais.

Significado das cores:

» Amarela – é a melhor porque significa das um abraço no rapaz;
» Laranja – significa uma “dentadinha do amor”;
» Roxa – já dá direito a um beijo com língua;
» Cor-de-rosa – a menina tem de lhe mostrar o peito;
» Vermelha – tem de lhe fazer uma lap dance (dança erótica);
» Azul – fazer sexo oral praticado pela menina (”boquete”);
» Verdes – são as dos chupões no pescoço;
» Preta – significa fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira;
» Dourada – fazer todos citados acima ou sexo oral simultâneo (“meia-nove”);
» Listrada– sexo na posição “frango assado”;
» Grená – Sexo anal sem lubrificante;
» Transparente – sexo com parentes consanguíneos;
» Marrom – exo escatológico (“brown shower”);


Símbolo de respeito

Como quase em tudo nestas idades, existe um estigma por detrás das pulseiras: quem não as usar é excluído e quem usar as cores preto e dourado é mais respeitado. “No meu grupo da escola, a líder – que serve de exemplo para todos – só usa pulseiras pretas e douradas. Todos os rapazes da minha turma usam pretas e se uma rapariga também usa, eles gostam todos dela”, conta a criança de 12 anos.



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ser Mais Produtivo

Ser mais produtivo é, cada vez mais, uma necessidade, dada a velocidade a que tudo acontece, e à crescente escassez de tempo disponível para fazer tudo. É por isso que a capacidade de ser mais produtivo faz toda a diferença!

O ritmo de vida é cada vez mais frenético, e o tempo cada vez mais um bem escasso e valioso, por isso, é cada vez mais importante sermos capazes de produzir mais em menos tempo, ou pelo menos, produzir mais no mesmo tempo que temos agora.
Por estes motivos, deixo aqui 5 dicas rápidas e práticas para que possa usar em seu benefício e aumentar a sua produtividade.

1. Regra do 80/20

Conhecida como o Princípio de Pareto, a regra dos 80/20, defende que, 80% das consequências advêm de 20% das causas. Isto é, aplicando a uma situação real, 80% do seu retorno, advêm de 20% das suas tarefas.
Sendo discutível, se é mesmo assim ou se em determinado caso é 60/40, ou 70/30, na minha opinião, o mais importante de tudo, é reter a ideia de que apenas algumas das tarefas que desempenhamos são responsáveis pela maior parte do nosso retorno.
Tendo esta ideia bem presente, temos a possibilidade de selecionar quais as tarefas que são na realidade mais produtivas, e apostar, dedicar e investir mais tempo nelas, como forma de aumentarmos o nosso restorno.
Parece simples e lógico, e até é, mas o problema é conseguir focar-se nessas tarefas, mas para isso há outras dicas.


2. Redes Sociais, Email, Messengers e Afins


Nos dias que correm, a internet tornou-se na maior distração que existe, tal é a variadade de coisas que se podem fazer, entre elas, especial destaque para as redes sociais, softwares de conversação como o messenger ou o skype, entre outras.


Já experimentou contabilizar o tempo que passa em cada uma destas áreas, seja nas redes sociais, seja na “conversa”? Ou a ver o seu email de 5 em 5 minutos?


Dê uma especial atenção a este assunto e verá que em muitos casos, ficará surpreendido com os resultados, já que são algumas das formas de passar o tempo sem retirar retorno.
Haverá aqui também que equacionar o equilíbrio de utilização destas ferramentas, mas em grande maioria são utililizadas muito além do contexto profissional, e aqui não há qualquer retorno.


Deslique!


Sim, desligue as redes e os messengers, por períodos de tempo pré-definidos, para que lhe seja possível focar a sua atenção e energia na tarefa que se propõe a concretizar.
Verá que, desta forma, conseguirá aproveitar muito mais o seu tempo e ser mais produtivo.

3. Exigente mas Realista


Definir objetivos de natureza variada, é fundamental para conseguir focar a sua energia e tempo no que é mais importante e, com isso, ser mais produtivo.


Ao definir estes objetivos, é fundamental que tenha em atenção, que estes objetivos devem corresponder a 2 critérios; serem exigentes, mas realistas.


Isto porque, em primeiro lugar, você deve ser o primeiro a exigir de si mesmo, que seja produtivo, ou mais produtivo, e por outro lado, porque se não forem objetivos realistas, poderá ter consequências negativas em si e na sua forma de trabalhar, já que, não só ficará desiludido e frustrado por não conseguir atingir os seus objetivos de forma recorrente, como também criará (inconscientemente) o hábito de não atingir os objetivos a que se propõe.
Por estes motivos, é importante que defina os seus objetivos de forma equilibrada, considerando estes 2 fatores e atribuindo-lhes pesos iguais.


4. A alta produtividade tem horas
Pode parecer estranho, mas efetivamente, não é.
Nós somos mais produtivos a certas horas do dia que a outras. Não tenha dúvidas!
Seja devido a hábitos próprios, à existencia de mais ou menos distrações, à nossa própria predisposição para trabalhar, cada um de nós tem as suas horas de alta produtividade, e as horas normais ou de menor rendimento.

Eu próprio, tenho certas horas do dia, que parece que passam e não consigo criar nem metade do que consigo a outras horas. Tenho as minhas horas de alta produtividade perfeitamente identificadas e verifico isso de forma recorrente.
Há pessoas que são mais produtivas logo de manhã, outras à noite ou noutros períodos do dia.
Inclusivamente, já sei que se tiver determinado tipo de tarefas para fazer, vou planear executá-las nas minhas horas de maior rendimento, pois a garantia de conseguir conretizá-las no tempo necessário, é bem superior.
Já conhece as suas horas de maior rendimento?

5. Intervalos com alguma frequência


Pela minha experiência, que vale o que vale, nao é por ficar encarcerado e amarrado a uma secretária por muitas horas eguidas que consigo produzir mais. Até pelo contrário. Muitas das vezes, fazer breves pausas entre períodos de 90 minutos ou à volta disso, é muito estimulante para, por um lado descansar a cabeça, e por outro, refrescar as ideias.
Muitas vezes, é neste períodos que surgem ideias novas sobre como abordar certos assuntos, ou como resulver alguns problemas, etc.


Estas pausas são muito produtivas em 2 aspetos:


1 - dão-lhe a possibilidade de descansar, e


2 - a frescura suficiente e muitas vezes necessária para ultrapassar obstáculos.


Além destes motivos, e segundo pessoas devidamente habilitadas no ramo da saúde (que não é o meu caso), para as pessoas que trabalham com computadores, outro dos benfícios de fazer estas pausas, está relacionada com o fato de poder descansar a sua vista.


Embora este último ponto não seja propriamente relacionado com a produtividade, achei importante referir em tom de complemento dos restantes.


Espero que estas técnicas o ajudem a ser mais produtivo e a combater as principais distrações e obstáculos ao aumento da produtividade!




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Crise cria classe de novos pobres na Espanha

A crise econômica vem causando uma perigosa mudança social na Espanha, empurrando de volta para a pobreza uma classe de pessoas que até então vinha ascendendo economicamente.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de um em cada cinco espanhóis - 21% da população, ou cerca de 10 milhões de pessoas - era classificado como pobre em julho, e analistas estimam que este índice chegue a 22% até o fim do ano. Em 1991, era de 14%.
O governo espanhol considera pobres os indivíduos com renda familiar abaixo de 570 euros mensais (cerca de R$ 1.300). As famílias com renda inferior a 215 euros (cerca de R$ 490) são consideradas na pobreza extrema.
Uma de cada quatro famílias não tem dinheiro o suficiente para saldar as dívidas no fim do mês.
A pesquisa estatal sobre a população economicamente ativa indica que em 2009 havia 4% das famílias com todos os integrantes desempregados. No primeiro trimestre de 2011, a taxa alcançou 11%.
Os serviços sociais estão sobrecarregados. Há quase 30 anos não havia tanta demanda.
Perfil
E o que mais chama a atenção dos pesquisadores é o perfil da nova classe. Os solicitantes de auxílio são geralmente trabalhadores entre 20 e 40 anos, alguns com formação profissional, que antes da crise tinham imóveis e bons salários.
'Com a falta de ofertas de trabalho, eles passaram a ser desempregados de longo prazo. Trata-se de uma crise que está mudando a vida das pessoas de maneira radical', disse à BBC Brasil o Secretário Geral da ONG Cáritas-Espanha, Sebastián Mora.
O responsável pela área de assistência social da igreja Católica explicou que nas décadas passadas a Cáritas ajudava indigentes, ciganos e imigrantes sem família na Espanha. Agora, estas ajudas se dividem entre imigrantes (60%) e espanhóis (40%) que até pouco tempo atrás pertenciam à classe média.
'Tinham créditos bancários para pagar casas e carros e não sobravam recursos para economizar. Hoje solicitam caridade envergonhados. Jamais pensaram que passariam por isso', afirmou Mora.
Solicitação de ajuda
Desempregados em fila para seguro desemprego em Madri
"Desempregados em fila para seguro desemprego em Madri"
O relatório Observatório da Realidade Social, feito pela Cáritas, mostra que os pedidos de ajuda mais que dobraram em quatro anos. De 950 mil pessoas atendidas em 2010, 35% recorreram ao auxilio de caridade pela primeira vez.
Segundo a instituição religiosa, estes novos pobres usam quase tudo que obtêm através de ajudas do governo para pagar aluguéis ou créditos bancários, o que não deixa o suficiente para contas, comida e roupa.
As crianças são as principais vítimas desta situação. Em novembro de 2010, a Unicef divulgou um relatório sobre a pobreza infantil denunciando que um de cada quatro menores na Espanha pertence a uma família cuja renda está 60% abaixo da média nacional.
Este índice coloca a Espanha quase na lanterninha das nações da União Europeia. No grupo dos 27 países do euro, apenas Romênia, Bulgária, Letônia e Itália têm taxas inferiores.
O Instituto Nacional de Estatística confirma os dados. No segundo trimestre de 2011, quase 2 milhões de menores de idade (24,1% do total) moravam em casas onde faltavam elementos básicos.
O governo admitiu que terá que revisar o sistema de benefícios, porque as contribuições estão sendo insuficientes, os recursos humanos estão sobrecarregados e alguns problemas burocráticos atingem pessoas em situação insustentável.
A fila é tão grande que o tempo de espera para atendimento em uma seção de assistência social pública é de 65 dias. Em instituições de caridade, como a Cáritas, o prazo cai para uma semana.
Falsa classe média
As estatísticas da Espanha atual contrastam com a de um país que até seis anos atrás criava 500 mil empregos por ano e que, em uma década de prosperidade, importou 5 milhões de imigrantes.
'A verdade é que vivíamos uma bonança que não correspondia à economia real', disse à BBC Brasil o professor de Economia Aplicada da Universidade Complutense de Madri Ignácio Alvarez.
'Não era lógico que as empreiteiras espanholas produzissem mais do que Reino Unido, Alemanha e França juntos a cada ano. Quando estourou a bolha da construção, percebeu-se como os valores de certos ativos, como imóveis, estavam inflados. Agora o caminho é reinventar o modelo produtivo.'
Segundo o Barômetro Social Nacional, com o boom do setor da construção o PIB da Espanha cresceu mais de 60% nos últimos 15 anos.
Entre 1994 e 2007 os imóveis se valorizaram 175% e os valores de ações e ativos financeiros subiram 130%.
A socióloga Violante Martínez, professora da Universidade à Distância (Uned), avalia que quem se beneficiou muito dessa bonança também entrou em queda livre com ela.
'Trabalhadores que antes da crise tinham um status econômico acima do seu nível de formação ascenderam bruscamente. Agora seus negócios quebraram e eles estão endividados', afirmou.
'Mas são pobres transitórios. Terão que reconduzir sua economia e viver em outra realidade, mas certamente sairão deste baque.'
BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Gigante da web desperta

Enfim, o gigante da web desperta com o Google+
Rede social é esforço do Google para impor novos rumos a seu negócio


De volta para o futuro: no comando de novo, Larry Page imprime sua marca ao Google
Há cerca de três semanas, o Google decidiu se aventurar no campo de batalha do inimigo. Colocou à disposição de convidados o Google+, serviço que, embora não seja oficialmente chamado de rede social pela nave-mãe, tem todas as características de uma. O objetivo é enfrentar aquele que se tornou seu principal rival: o Facebook. É cedo para saber se a empreitada será bem-sucedida: gigante no universo de buscas, o Google é um infante no campo de relações sociais, dominado pelo site criado e maturado por Mark Zuckerberg, que reúne mais de 750 milhões de cadastrados ao redor do planeta. Renda o que render o contra-ataque a longo prazo, é inegável que a chegada do Google+ veio acompanhada daquela fagulha de vigor que, se não garante o sucesso, é reveladora do empenho em inovar e impor novos rumos a um negócio.

Soa contraditário, mas o Google, nascido há apenas 13 anos, estava envelhecendo. Aferrado às próprias conquistas, tornou-se mais conservador e menos ágil. Criado em 1998 por dois estudantes de ciências da computação da Universidade de Stanford, Larry Page e Sergey Brin, então com 24 anos, nasceu e cresceu (de forma meteórica) apoiado em um algoritmo que pretendia organizar toda a informação disponível na internet. Seu buscador aponta, a partir de infindáveis cálculos, os sites mais "relevantes" da rede, levando em conta o número de referências que os usuários fazem a esses endereços. Foi a "era dos engenheiros" da web. O Google tornou-se um gigante, com valor de mercado estimado em 147 bilhões de dólares em 2010 (é mais valioso do que o Citigroup ou a Toyota) e faturamento que se apoia majoritariamente nos links patrocinados exibidos em suas páginas.

Mas os engenheiros tiveram dificuldades para lidar com a onda que viria logo a seguir: as redes sociais. O Facebook nasceu em 2004, conta a lenda, no dormitório de um alojamento de estudantes de Harvard. Zuckerberg, então com 19 anos, e amigos construíram um ambiente virtual restrito em que alunos da universidade podiam se expressar, organizar contatos e atividades. A era dos engenheiros começava a ceder espaço para a das relações sociais. A consequência disso é que o Facebook comeu terreno do Google. Em maio deste ano, por exemplo, usuários de internet de todo o mundo já dedicavam, em conjunto, mais tempo a páginas da rede social do que à do buscador: 250 bilhões ante 200 bilhões de minutos, respectivamente. Na prática, essas pessoas trocaram os links provenientes das buscas do Google por informações compartilhadas por seus contatos no Facebook. A disputa pela audiência reflete, é claro, uma briga maior por dinheiro proveniente de anúncios.

Desde a ascensão do Facebook, o Google demorou a reagir. Ou melhor, falhou sucessivamente no contra-ataque no campo da interação entre usuários. Em 2005, apresentou precocemente o Dodgeball, serviço de geolocalização similar ao que atualmente é usado no Foursquare. No ano seguinte, foi a vez do Jaiku, espécie de rival do Twitter, que tombou diante da versão original. Os maiores fracassos, contudo, viriam em 2009, com o Wave, e, em 2010, com o Buzz – esse, sim, fez barulho. O serviço apresentava uma falha primária de privacidade, que permitia a exibição, sem autorização do usuário, de todos os contatos provenientes do Gmail, serviço de e-mails da empresa. O Buzz foi colocado de lado após uma enxurrada de reclamações.

"O Google valoriza a tecnologia, não a ciência social", afirmou em seu blog Paul Adams, um talentoso executivo cuja trajetória ilustra a mudança de maré ocorrida na internet em pouco mais de dois anos. Ele participou da fase embrionária de desenvolvimento do Google+, mas trocou o gigante de buscas pelo Facebook, onde atualmente é gerente de produtos. "O trabalho lá (no Google) se tornou uma tarefa burocrática." Adams não foi o único. Na verdade, a empresa perdeu vários talentos em postos-chave, inclusive no Brasil. De quebra, nos Estados Unidos, perdeu (justamente para o Facebook) o almejado posto de melhor empresa para se trabalhar, sinal de que a aura de empregador que oferece um ambiente informal e estimulante – que inclui mesas de ping-pong e pebolim – já não seduzia tanto quanto o também despojado chinelo Adidas do criador da rede social.

Larry Page (à esq.), do Google, e Mark Zuckerberg, do Facebook: confronto direto nas redes sociais
O primeiro sinal de que o Google de fato empreenderia a mudança que ganha corpo agora surgiu em janeiro, quando Eric Schmidt, então presidente da companhia, postou a seguinte mensagem em sua conta no Twitter: "A supervisão diária de adulto não é mais necessária." Depois de conduzir a empresa à maturidade, uma tarefa que consumiu uma década, o experiente executivo de 56 anos devolvia, assim, a gestão do gigante ao cofundador Larry Page, de 37. Schmidt disse que, de fato, a empresa perdera agilidade na tomada de decisões por manter uma espécie administração compartilhada entre ele próprio, Page e Brin. A mudança deveria recuperar a agilidade perdida.

Foi o que aconteceu. Desde abril, quando Page reassumiu o comando, o Google se tornou novamente uma máquina de lançamentos. Apresentou netbooks com sistema operacional Chrome OS (uma aposta arriscada), o botão +1 (semelhante ao "Curtir", do Facebook), um serviço de música on-line (Google Music), um site de compartilhamento de fotos (Photovine) e remodelou os tradicionais Gmail e YouTube. "As declarações que Page fez desde o início do ano já permitiam antever que essas mudanças estavam em curso", diz Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vargas e pesquisador do mercado digital. "Havia claramente a preocupação com o fato de a empresa ter ficado lenta em relação ao mercado."

Com exceção do computador movido a Chome OS, as demais apostas do Google têm claro objetivo social. Atraindo adeptos a seus serviços, o gigante pode reunir um tipo de informação valiosíssima: hábitos e preferências de usuários compartilhados na rede. É uma mina de ouro para ações publicitárias nas páginas internas do site. A inclusão do botão +1 entre seus recursos, por exemplo, é nada menos do que uma guinada na maneira do Google de fazer buscas. "Com o uso cada vez mais frequente do +1, as buscas passarão a ser influenciadas pelas preferências do usuário", explica Alexandre Campos, gerente de contas do IDC Brasil, grupo de análise de mercado. Ele aposta ainda que a aparente evasão de talentos será contida: "As empresas atravessam ciclos naturais de desenvolvimento. O Google já teve os melhores cérebros do mercado e certamente os retomará para manter seus objetivos."

Costuma-se dizer que, para as empresas, reinventar-se não é uma opção, mas um dever. Serve para o Google, serve para as demais. Em 1975, surgiu uma empresa que, nos anos seguintes, colocaria em prática uma ideia que até então parecia inconcebível, apesar de já ter sido desenvolvida pela rival Apple: o computador pessoal. Para isso, a Microsoft criou uma interface amigável que permitia ao não especialista comandar a máquina: o sistema operacional Windows. Apesar de ter comandado essa revolução, a Microsoft perdeu o bit da história seguinte: a internet. A companhia de Bill Gates aferrou-se a seu software e franqueou terreno ao avanço de outros – Google e Facebook são dois deles. Recentemente, tentando recuperar o tempo perdido, desembolsou 8,5 bilhões de dólares para comprar o Skype, serviço de telefonia via internet. Continua gigante, com valor estimado em 240 bilhões de dólares, mas não é mais sinônimo de inovação.

O Google+ parece indicar que o Google compreende a lição. Nas primeiras duas semanas de atividade, com acesso restrito a convidados, atraiu estimados 10 milhões de usuários, que em geral avaliam bem o que viram lá dentro. Seu sucesso, vale repetir, ainda é incerto. Mas já está claro que, quando a gigante desperta, quem ganha é o usuário.